terça-feira, 22 de novembro de 2016

Santo do pau oco no Museu de Arte Sacra

A expressão surgiu provavelmente em Minas Gerais, entre o final do século XVII e o início do século XVIII. Era o Período Colonial, o auge da mineração no País.
Para driblar a cobrança do "quinto", o imposto de 20% que a Coroa Portuguesa cobrava de todos os metais preciosos garimpados no Brasil, santos em madeira oca eram esculpidos e, posteriormente, recheados de ouro.

 Aqui em Cuiabá está em exposição não um Santo, mas sim uma Santa do pau oco. Ela é a Nossa Senhora da Piedade e está no Museu de Arte Sacra de Mato Grosso.

Nossa Senhora da Piedade - Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Origens
Nossa Senhora da Piedade é um Título e uma imagem da Virgem Maria inspirados na famosa “Pietá”, de Michelangelo e em Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma imagem que “fala” pela força da expressão artística. Na imagem, Nossa Senhora está com seu Filho Jesus morto nos braços. Remete a um momento muito específico de dor e sofrimento, logo após a morte de Jesus na cruz.

Filme: A paixão de cristo - 2004

Teologia da imagem
A imagem de Nossa Senhora da Piedade contém uma teologia profunda. Jesus, morto, recém descido da cruz, nos braços de sua mãe. Retrata o sacrifício de salvação feito por Jesus e Maria como corredentora, acompanhando seu filo até o fim. Retrata a dor da Mãe que, consciente de sua missão, oferece seu filho pela salvação da humanidade. Ela representa também a dor de milhões de mães que sofrem por seus filhos, vítimas de todo tipo de sofrimento.

Pietá por Willian Bouguereau - 1876

História
A representação mais antiga de que se tem notícia de Senhora da Piedade encontra-se em Portugal. Trata-se de uma obra pintada em madeira, fixada numa das várias capelas presentes no claustro da Sé, na cidade de Lisboa. Pertencia a urna Irmandade muito antiga, que tinha como missão enterrar os mortos, visitar e consolar os presidiários e acompanhar os condenados à pena de morte. Com efeito, tal imagem aparece em 1230 acompanhando ninguém menos que o pai do famoso Santo Antônio, a caminho da pena de morte. O pai foi salvo pelo filho santo, que demonstrou milagrosamente sua inocência.

Pietá por Michelangelo - 1499

Encontrada no tronco de uma árvore
Há também uma outra história de Nossa Senhora da Piedade em Portugal. Esta recebeu o “apelido” de Nossa Senhora da Piedade de Merceana. A tradição conta que esta imagem apareceu no tronco de uma árvore, no século XII. Certa vez um camponês começou a observar que um de seus bois se afastava para o campo todos os dias sempre no mesmo horário. Algum tempo depois, voltava. O homem chamou outros companheiros e seguiram o boi. O animal dirigia-se a uma carvalheira, e se ajoelhava debaixo dela, fixando os olhos num de seus galhos. No alvo do olhar do boi encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Piedade. Mais tarde, construíram uma pequena capela naquele local e a devoção cresceu.



A devoção chegou ao Brasil
Foi provavelmente este culto a Nossa Senhor ada Piedade que chegou ao Brasil e se fixou em Minas Gerais, pois ela era a padroeira de Guaratinguetá, parada obrigatória dos bandeirantes a caminho do interior, até chegar à Serra da Piedade, peto de Caeté e de Belo Horizonte, onde existe um santuário dedicado a ela. Vários relatos de graças e milagres acompanham a imagem de madeira desde a sua fixação no Santuário. Sua festa acontece no dia 15 de setembro, um dia depois da festa da Exaltação da Santa Cruz.

Nossa Senhora da Piedade - Museu de Arte Sacra de Mato Grosso

Outra possibilidade de origem da expressão santo do pau oco é do folclorista Luiz Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, que diz que as imagens de santos vinham de Portugal recheadas de dinheiro falso. Controvérsias à parte, a expressão ultrapassou séculos e continua a ser usada para quando um hipócrita de plantão aparece.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

História de Nossa Senhora Aparecida, e algumas representações artísticas


A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por dois pescadores do Rio Paraíba do Sul, na região de  Guaratinguetá, estado de São Paulo, por volta do ano de 1717. Os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe  Pedroso já pescavam há bastante tempo, sem que conseguissem tirar peixe algum das águas do rio. Foi quando João trouxe em sua rede a parte correspondente ao corpo da imagem e, depois, lançando a rede um pouco mais distante, trouxe nela a cabeça da Senhora. Dali por diante, a pescaria tornou-se copiosa e, receosos de que a quantidade de peixe trazida para os barcos ocasionasse um naufrágio, os três amigos voltaram para casa, trazendo a imagem e contando a todos o prodígio que haviam vivido.

O culto à Senhora não tardou a tomar vulto. À imagem, que representa Nossa Senhora da Conceição, logo foi dado o nome de Aparecida, por ter aparecido do meio das águas nas mãos dos pescadores. Inicialmente instalada em uma capela na vila dos pescadores, já por volta do ano de 1745 teve sua primeira igreja oficial, em torno da qual viria a nascer o povoado e o santuário de Aparecida.

A consagração de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ocorreu em 31 de maio de 1931, em uma celebração que reuniu, já naquela época, um milhão de pessoas. Os padres redentoristas, responsáveis pelo Santuário Nacional de Aparecida, foram os grandes animadores da construção da Basílica que hoje abriga a imagem da Senhora.

Nossa Senhora Aparecida, s/d
Djanira da Motta e Silva (Brasil 1914-1979)





N. S. Aparecida em cabaça - Vanessa Lima


Paulo Corrêa
NOSSA SENHORA APARECIDA - pintura, óleo s/ tela, 42 x 79, 2004


município de Itaipulândia PR


N. S. Aparecida  - Rosylene Pinto - 2011 - Cuiabá - MT - Brasil

Escultura - Paulo von Poser






quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Exposição Oratórios e Crucifixos: Objetos que expressam fé e religiosidade

     foto: Protásio de Morais 



Oratórios e Crucifixos está em cartaz no Museu de Arte Sacra de Mato Grosso até dia 30 de outubro, de terça a domingo, das 09h às 17h. Em exposição, objetos de fé e religiosidade presentes na vida do povo mato-grossense desde os primeiros anos de colonização.

O público que visitar o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso poderá ver de perto dez oratórios originais da antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, das Igrejas do Rosário e São Benedito e de acervos pessoais que foram doados ao MASMT. Juntamente com alguns desses oratórios, serão exibidas imaginárias e crucifixos da antiga Catedral. 

“As informações sobre as peças registram o uso, costumes e tradições; evocam hábitos e características, por meio da influência barroca, rococó e neoclássica, além da história da arte e da arquitetura que se revela no conjunto dos oratórios expostos”, adianta Sandra Barbosa, diretora do MASMT.

Dentre as peças em exibição, destaque para o oratório barroco em madeira recortada, entalhada nas colunas, vidro de cristal, com 1,59 m de altura, procedente da antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, demolida no ano de 1968.

Sobre Oratórios

Originária do verbo “orar” em latim, que significa "falar, dizer, pronunciar, prece e discurso" a palavra “oratório” possui sentidos amplos: como o devocional doméstico, evocativo de oração, gênero musical e até mesmo um estilo arquitetônico que designa local de reclusão. 

Cada religião tem seu histórico próprio para os oratórios. A arte cristã desenvolveu-se nas catacumbas romanas, onde era colocado um candelabro e pintado o símbolo cristão. Desde então, já faziam parte do comércio, entre, pequenas pinturas e imitações portáteis.

Na Idade Média, os oratórios eram fechados, as pinturas acinzentadas evocavam anjos que guardavam as portas e quando abertas revelavam a imagem evocada e a parte superior era ricamente ornada com pequenas esculturas. Havia também os portáteis que eram carregados pelos cruzados até Jerusalém para livra-los da morte.



Os oratórios como elementos arquitetônicos religiosos são espaços devocionais fixos ou móveis, tanto domésticos como conventuais. Os oratórios ficam no lar ou podem ser trasladados para outros lugares, esses disseminados pelos bandeirantes, devido à escassez de Padres durante as expedições ao interior do Brasil. Ao longo das Vilas fundadas, ficavam as imagens carregadas nos Oratórios, que serviam para as celebrações, ao longo dos anos com o crescimento dessas vilas, houve a necessidade de aumentar os locais de celebração, assim construindo capelas ou grandes Igrejas.

Os fixos eram incorporados às grossas paredes de Taipa de Pilão das “Casas Grandes” em fazendas. O doméstico tornou-se tradição nas regiões de mineração e as religiosas femininas criavam seus oratórios conventuais, confeccionados em pequenas caixas ornadas com estampas de santos.

No Brasil a tradição dos oratórios chega com os portugueses e sofrem diversas adaptações de acordo com a vida local, sendo presentes nas fazendas, senzalas e sobrados urbanos. Nas casas coloniais eles acabam por substituírem as capelas, e são introduzidos nas residências, colocados nas paredes ou sobre móveis para uso individual. Locais onde havia lacunas religiosas a população substituía e preenchia com os oratórios domésticos.

A disposição e o acréscimo das imagens nos oratórios evidenciam a religiosidade, com a função de substituir o local sagrado público pelo privado do lar, devido à impossibilidade da prática religiosa social. Entre outras questões de impossibilidades como a distância das fazendas até as cidades, inexistência de Igrejas e enfermidades.

Período da exposição: 25 de agosto a 30 de outubro de 2016

Horário: Terça-feira a sábado, das 9h às 17h

Tel.: 98425-1443 ou 3056-6285






Cibório, Âmbula ou Píxide?




Ambas designações estão corretas. Entretanto, cada nome foi atribuído em uma determinada época, hoje, por exemplo, o nome mais conhecido é âmbula, antigamente era comum chamá-lo de cibório ou píxide.
O cibório (do latim ciborium, caixa), também chamado de âmbula (do latim ambulare, transportar) ou píxide (do latim púxis, pequena caixa). Seu primeiro formato foi de um cestinho de vime, lembrando cestos de pães. Depois foi uma espécie de cofre ou caixa.

Sua finalidade é conservar as hóstias antes da consagração na Santa Missa e após a consagração, ela serve para Armazenar as Reservas Eucarísticas no Sacrário.
Mas como vou saber se as Hóstias que estão na âmbula estão ou não consagradas? Para isto, as âmbulas com as Reservas Eucarísticas (Hóstias Consagradas) são cobertas por um véu, Chamado Véu de Âmbula e as que não foram consagradas não.
Hoje, para ser mais facilmente manipulado na distribuição da comunhão, é de metal ou outro material, com ou sem pé e uma tampa. O cibório pode possuir vários formatos, sendo o mais comum o de taça. Sua função é de conservar as hóstias consagradas por um espaço maior de tempo.
Esta conservação dá no sentido de assegurar a comunhão dos enfermos e a adoração eucarística fora da Missa. Bem como, manter as reservas de hóstias nos Sacrários.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Você sabe a diferença entre arte sacra e arte religiosa?



Pietà (em português Piedade) de Michelangelo


Arte religiosa e arte sacra não têm o mesmo significado, pois uma obra pode ser produzida sob a inspiração divina, mas não ser voltada para o culto. Portanto, esta tem um destino concreto, o de servir a rituais litúrgicos. Jacques Maritain destaca a distinção, dentro da esfera da arte, da produção cristã e, inserida nesta, a atuação da arte sacra, através de elementos espirituais que compõem sua essência.


A arte sacra popular não apresenta formas lapidadas, enquanto a arte sacra clássica revela artistas com um talento sublime. A arte religiosa é um reflexo da essência humana, um processo interno do artista, sua imagem do amor divino. Ela é, assim, subordinada à religião institucional. A arte sacra está, portanto, impregnada dessas características, mas diferencia-se por ser imanente ao culto sagrado. Sua intenção é despertar nos fiéis emoções puras e singelas, revelar-lhes a visão do Paraíso ainda na Terra, um lampejo da perfeição. Mas estas obras, distintas das cristãs em geral, não devem chocar os frequentadores das Igrejas nas quais estão expostas, nem ferir suscetibilidades, muito menos criar controvérsias ou questionar dogmas e conceitos religiosos. Seus fins são estritamente pragmáticos.


fonte:http://www.infoescola.com/artes/arte-sacra/

segunda-feira, 28 de março de 2016

Retorno da Exposição 'Imaginário Restaurado da Antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá'


O Museu de Arte Sacra exibe novamente a partir dessa terça-feira (29/03) a Exposição “Imaginário Restaurado da Antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá”. 

Composta de oito imagens restauradas, sendo a mais antiga a de São Miguel Arcanjo em madeira, do século XVIII, são imagens de devoção que compunham os altares da catedral demolida em 1968. 

Efígies que nos remetem a um passado não muito distante, nas quais podemos sentir a fé e a devoção do artista no seu processo de produção, as imagens nos levam a crer na preocupação da sociedade católica do período em ornamentar suas igrejas com peças que demonstrassem suas devoções. Parte desse acervo é constituído de imagens pertencente à antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, peças em madeira e gesso que passaram por processo de restauro e que hoje fazem parte da Exposição “Imaginário Restaurado da Antiga Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá”.  



sexta-feira, 18 de março de 2016

Exposição internacional de Mari Bueno pode ser vista até o domingo (20)



Última chamada para quem ainda não teve a oportunidade de visitar a nova exposição da artista plástica Mari Bueno. Depois de passar por museus de Portugal e Itália, e em cartaz no Museu de Arte Sacra de Mato Grosso desde janeiro, a exposição “Maria, Discípula Missionária” segue só até este domingo (20), e apresenta 31 obras em óleo sobre tela temáticas.

Em exibição, treze telas que retratam a vida de Maria, desde a anunciação até a coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra, e outras 18 peças revelam como ela é vista por diferentes culturas de outros países.

“Maria, Discipula Missionária está em exposição em Cuiabá desde 14 de janeiro deste ano, mas circula por importantes espaços dedicados à arte com viés religioso desde de 2014. O Museu de Arte Sacra e Etnologia, de Fátima, em Portugal, foi o primeiro a recebê-la, em maio de 2014. Já em junho de 2015, as telas foram expostas na Basílica de Santo Ambrósio, durante a Expo Milano 2015, em Milão, na Itália. Logo, em setembro, chegaram ao Brasil para apreciação de visitantes da Basílica do Santuário Nacional de Aparecida, onde ficou até o final de outubro, período em que a exposição recebeu a visita de 120 mil devotos. Em novembro, foi a vez de Sinop.

Em Cuiabá, a mostra coroa um ciclo do projeto que cumpriu um de seus principais objetivos, o de ser um trabalho evangelizador e catequético. “Foi um circuito que começou em maio de 2014 em Portugal, passou pela Itália, esteve no Santuário da padroeira do Brasil e agora chega a Mato Grosso.

Desta forma, o público mato-grossense não só tem acesso ao acervo de outros museus que chegam a Mato Grosso via Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, mas especialmente por conta deste espaço, pode apreciar também a produção regional que se adequa à temática religiosa com grande qualidade estética da arte.

O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso funciona de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas e é administrado via contrato de gestão entre a Secretaria de Estado de Cultura e a Associação Casa de Guimarães.

A entrada custa R$2 de terça a sábado, aos domingos, entrada franca.

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia das Mulheres

Entrada gratuita para todas as mulheres


Com o intuito de homenagear as mulheres no seu dia, o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso não cobrará, nessa terça-feira (08), o valor da entrada para as mulheres, sendo totalmente gratuito.
Aproveite e faça-nos uma visita!

sexta-feira, 4 de março de 2016



O Museu de Arte Sacra MT agora está no twitter



A fim de expandir seu alcance virtual, o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, também
encontra-se agora no Twitter, além das outras tradicionais redes sociais, Facebook e Google+.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Alteração no valor da entrada


 O museu de Arte Sacra de Mato Grosso informa a alteração no valor da entrada. O ingresso passará de R$ 4,00 para R$ 2,00, sendo que todos pagarão esse valor. Aos domingos, entretanto, a entrada será gratuita para todos.

Horários de visitação

Terça a sábado: 09h às 17h
Domingo: 09h às 13h